maturidade emocional no trabalho

Maturidade emocional no trabalho

Quando falamos em maturidade emocional no trabalho, automaticamente falamos em quatro pilares, que sustentam a maturidade, são eles: autorresponsabilidade, autocontrole, postura profissional e redução da reatividade.

Autorresponsabilidade: a autorresponsabilidade é embasada no estoicismo – filosofia antiga, uma das disciplinas cívicas mais populares no Ocidente. A base dessa filosofia é a busca por autocontrole, perseverança e sabedoria. Segundo Arthur Schopenhauer, estoicismo é “o ponto mais alto que o homem pode alcançar pelo mero uso de sua faculdade da razão”.

Segundo os estoicos, ao controlar as nossas percepções, é possível encontrar clareza mental. Ao orientar nossas ações de maneira apropriada e justa, seremos felizes. Ao utilizar e alinhar nossa vontade, encontraremos sabedoria e perspectiva para lidar com qualquer coisa que o mundo nos apresente.

Autorresponsabilidade = é a crença de que você é o único responsável pela vida que tem levado; portanto, é o único que pode mudá-la.

Para praticar a autorresponsabilidade, podemos dividir os acontecimentos da vida em dois blocos:

  1. O que está no meu controle: Coisas que dependem de mim (meu horário, meu estudo, meu tom de voz, minha entrega);
  2. O que não está no meu controle: Coisas que não controlo (crise econômica, decisões da diretoria, trânsito, o erro do colega).

Uma prática da autorresponsabilidade é sair do vício das desculpas, ou seja, quando damos uma desculpa, entregamos o poder para o externo. Exemplo: se o projeto atrasou “porque o outro não enviou o arquivo”, você é refém. Se o projeto atrasou “porque eu não cobrei o arquivo a tempo”, você é o dono da solução para a próxima vez.

Autocontrole: não se trata de viver como um robô, sem sentir as emoções, mas de saber gerenciar a energia emocional para que ela não sabote sua performance.

Vamos entender melhor como as emoções agem no nosso organismo, usando como exemplo a ansiedade: Ao se sentir ansioso, você reconhece que está preocupado com o fato de que não conseguirá concluir o trabalho a tempo (avaliação), o ritmo cardíaco acelera (sensação), você se concentra em sua competência (intencionalidade), tem sentimentos terríveis em relação à vida (sentimento), torna-se fisicamente agitado e inquieto (comportamento motor) e pode dizer ao seu parceiro que está em um dia ruim (interpessoal).

Cada um de nós desenvolveu, durante a vida, um estilo de enfretamento das emoções, ou seja, cada um de nós administra as emoções de determinada maneira, e alguns estilos são problemáticos, como: queixa constante, provocar o outro, atacar, afastar-se, ruminação, uso de álcool/drogas, comer compulsivamente.

Esse formato de enfrentamento problemático, chamamos de desregulação emocional, que significa dificuldade ou inabilidade de lidar com as experiências ou processar as emoções. A desregulação pode se manifestar como intensificação excessiva (pânico, terror, trauma, temor ou senso de urgência – gerando sensação de sobrecarga) quanto como desativação excessiva das emoções (estado de apatia, “não sinto nada”).

Quando falamos em autocontrole estamos falando de regulação emocional, ou seja, é saber gerenciar de forma saudável as próprias emoções. A regulação emocional pode incluir qualquer estratégia de enfretamento que o indivíduo usa ao confrontar a intensidade emocional indesejada. A regulação emocional funciona como um “termostato homeostático” do nosso corpo, capaz de regular as emoções e mantê-las em nível controlado, de maneira que seja possível lidar com elas.

Folkman e Lazarus (1988) identificaram oito estratégias saudáveis para lidar as emoções: confrontação (assertividade), distanciamento, autocontrole, busca de apoio social, aceitação de responsabilidade, fuga-esquiva, resolução planejada dos problemas e reavaliação positiva.

Redução da reatividade: a reatividade é o comportamento de “bateu-levou”. Reduzi-la é o que diferencia os profissionais com bom autocontrole daqueles que não administram bem suas emoções.

Algumas ações que ajudam na redução da reatividade:

  • Se dê 6 segundos: quimicamente as emoções são rápidas, ou seja, não duram muito. Se você não alimentar o pensamento intenso no mesmo segundo, a intensidade vai diminuir, e você lidará melhor com a emoção do momento.
  • Ouvir para entender X Ouvir para responder: em várias situações, reagimos mal porque estamos armados, ou seja, em posição defensiva, ouvindo para responder/devolver, e não compreender.
  • Transformando conflito em confronto saudável: há uma diferença entre ser reativo e maduro, por exemplo: “Você sempre atrasa os relatórios (reativo); “Notei que os últimos relatórios chegaram fora do prazo, e isso impactou meu cronograma. Como podemos ajustar isso?” (maduro, foco no fato).

Postura profissional:  a materialização da sua etiqueta, ética e imagem no ambiente corporativo. É o “como” você faz as coisas, como se comporta no ambiente. Algumas ações em prática, constroem uma boa postura profissional, como:

  • Comunicação assertiva: equilíbrio entre a passividade (não falar nada) e agressividade (ser rude na forma de falar). Ser assertivo significa ser firme com os fatos, e gentil com as pessoas (ao mesmo tempo);
  • Confiabilidade: honrar prazos e, principalmente, avisar com antecedência quando não for possível cumprir algo. A postura profissional é construída na previsibilidade;
  • Gestão da presença: é observar e cuidar da forma como você se comporta em reuniões, se está presente ou, por exemplo, usando o celular e distraído, como trata as pessoas, todas elas (desde serviços gerais até gerentes e gestores). A postura profissional se revela na consistência do tratamento com todos os níveis hierárquicos.

 

Característica Imaturidade Emocional Maturidade Emocional
Problemas Procura culpados e reclama. Procura soluções e aprende.
Feedback Encara como ataque pessoal. Encara como ferramenta de melhoria.
Conflitos Alimenta fofocas e reage mal. Confronta os fatos com respeito.
Pressão Perde o controle ou paralisa. Mantém o foco e pede ajuda se necessário.

 

Exercício de reflexão: como você tem reagido no ambiente profissional? De forma madura ou imatura?

Se você se identificar com imaturidade no ambiente de trabalho, lembre-se de que maturidade é aprendizado e construção, ou seja, sempre haverá uma oportunidade de se desenvolver emocionalmente.

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