Nos últimos 50 anos os índices de ansiedade têm aumentado de forma significativa e de forma ainda mais intensa desde quando passamos pelo período de pandemia. E a pergunta que nos surge é: se a ciência tem avançado tanto, se temos cada vez mais profissionais capacitados para tratar dos transtornos de ansiedade, por que não vemos melhora no quadro geral? Afinal, com mais ciência e consciência sobre saúde mental, não estamos melhor que o passado?
Apesar de hoje termos mais estrutura e conforto material, segurança e até mais confiança nos avanços da medicina, hoje enfrentamos um problema é a diminuição do nível de conexão social. Ao longo dos anos, os nossos laços sociais passaram por transformações, tornando as relações menos estáveis e menos previsíveis – isso gera sensação de insegurança, que é o fator principal para a manifestação da ansiedade.
Hoje o divórcio é mais comum, as famílias estão cada vez mais distantes, divididas e espalhadas, a convivência familiar está cada vez mais raro, as pessoas moram mais distante umas das outras. As comunidades estão menos coesas, estão mais dispersas devido à mobilidade econômica, pela organização das cidades ao longo dos anos, e dos meios de transporte, que foram evoluindo.
As pessoas estão cada vez mais isoladas, conhecem pouco, ou nem ao menos falam com seus vizinhos, vida social também menos ativa, pois muitos lugares passaram a ser mais perigosos, gerando medo de ir e vir, além de hoje mantermos uma rotina intensa de trabalho de responsabilidades, necessário para darmos conta de toda demanda da fase adulta.
Com o avanço da globalização e tecnologia, a competição econômica tornou-se maior, gerando medo e instabilidade emocional com relação aos empregos, ou seja, hoje o medo de perder o emprego é muito maior que antes, na época dos nossos pais e avós, que entravam em uma determinada empresa e ali se aposentavam.
A grande maioria dos idosos não podem mais contar com aposentadorias e pensões adequadas para a velhice, muitos ainda precisam trabalhar e se desgastar no mercado de trabalho, dificultando o cuidado com a saúde, e gerando estresse constante com a instabilidade econômica em que vivem.
Também observamos um movimento de comparação coma vida dos outros muito maior do que antes. Por exemplo: se há 50 anos atrás você comprasse um carro, a maior comparação seria com seus vizinhos, alguns amigos e familiares, ou seja, poucas pessoas. Hoje, através das redes sociais, nos comparamos muito mais, pois vemos todos os carros que são melhores que os nossos, vemos a vida do outro, que na nossa percepção é bem melhor que a nossa, e isso vai nos levando para um pensamento constante de insatisfação com as nossas conquistas, estamos sempre buscando mais, sempre achando que o que temos é pouco, pequeno, porque afinal, nossa régua de comparação. A insatisfação tem sido nossa eterna companheira.
Os nossos padrões de beleza, as expectativas que criamos em cima do que é o sucesso, e a busca constante por felicidade contínua nos deixam insatisfeitos com o mundo no qual estamos descontando cada vez mais em comida, jogos, compras, ou seja, qualquer coisa que jogue em nosso cérebro sensação imediata de bem-estar e prazer.
Para saber mais sobre esse assunto, e aprender a administrar a ansiedade em 2026, fique ligado aqui no blog.
Sua saúde mental agradece!





